Rota do Românico do Vale do Sousa

 

Informação Geral
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Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro 
  • Nome: Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro
  • Classificação: Monumento Nacional (MN) pelo Dec. 16-06-1910, DG 136 de 23 de Junho de 1910
  • Concelho: Felgueiras
  • Estilo: Românico tardio com influências protogóticas
  • Estado de Conservação: Razoável 
  • Festa do Padroeiro: Santa Maria Maior – 5 de Agosto 
  • Horário do Culto: Domingo, Feriados e Dias Santos às 8h e às 10h45.  
  • Horário da Visita: De Quarta-Feira a Domingo das 10h às 13h e das 14h às 18h. 
  • Preço da Entrada: Gratuito 
  • Acesso p/ Deficientes: Em fase de planeamento 
  • Serviços de apoio:
    Centro de Informação da RRVS de Pombeiro:
    - Claustro do Mosteiro de Pombeiro, Pombeiro de Ribavizela, Felgueiras;
    - Horário: Quarta-Feira a Domingo - 10h/13h e 14h/18h.
  • Telefone : 255 810 706 / 918 116 488 
  • Fax: 255 810 709 
  • E-Mail: rrvs@valsousa.pt  
  • Web: www.rotadoromanico.com 
  • Localização:
    Lugar do Mosteiro, freguesia de Pombeiro de Ribavizela, concelho de Felgueiras, distrito do Porto.
  • Como Chegar:

    Se vem do Norte de Portugal através da A28 (Caminha/Porto), da A3 (Valença/Porto) ou da A7 (Vila Pouca de Aguiar/Póvoa de Varzim) siga na direcção de Felgueiras pela A11 (Esposende/Marco de Canaveses). Saia no nó de Felgueiras Oeste, seguindo depois as indicações da RRVS até àquele Monumento Nacional.

     

    Se vem do Centro ou Sul do País pela A1 (Lisboa/Porto) ou pela A29 (Estarreja/V.N. Gaia) entre no Porto cruzando o rio Douro através da ponte do Freixo e escolha depois a A3 (Valença).

     

    A partir do Porto poderá optar pela A4/IP4 (Vila Real) ou pela A41/A42 (Paços de Ferreira) que o conduzirão até à A11. Nesta via saia no nó de Felgueiras Oeste, seguindo depois a sinalização da RRVS.

     

    Se já se encontra na cidade de Felgueiras, siga na direcção de Guimarães através da estrada N101 (Amarante/Valença).

  • Coordenadas Geográficas: Latitude: 41° 22' 58.091" N   /   Longitude: 8° 13' 32.597" O  
  • Ver mapa
História
História
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Mosteiro de Santa Maria de PombeiroO Mosteiro de Pombeiro é fundado, segundo a tradição, em 1059, apesar da mais antiga referência documental conhecida apontar para o ano de 1099.

No entanto, mais relevante ainda é a doação que se verifica em 1102 pelos Sousões, família abastada e muito poderosa ligada à Corte, a favor do Mosteiro. Em 1112, é concedida Carta de Couto ao Mosteiro, significando que aquelas terras são dotadas de particulares privilégios e de justiça própria.

Mas Pombeiro é uma das mais antigas instituições monacais do território português, estando documentada desde 853, segundo PAF, do IPPAR. No entanto, do primitivo estabelecimento nenhum elemento material foi, até ao momento, identificado, mas tratava-se, com grande probabilidade, de um edifício modesto, eventualmente vinculado à autoridade asturiana e localizado no lugar do Sobrado, medievalmente designado por Columbino. Já as origens do actual edifício são conhecidas desde a época de D. Fernando, o Magno. Segundo Graf, em 1041, o Mosteiro sofre a transferência para a sua actual localização, sendo erguido o primeiro conjunto a partir de 1059, monumento do qual nada chegou até aos nossos dias. No entanto, é neste período condal que ocorre a já referida doação de D. Egas Gomes de Sousa e a concessão da Carta de Couto de D. Teresa.

A localização do Mosteiro, na intersecção de duas das principais vias medievais da época – uma que ligava o Porto a Trás-os-Montes, por Amarante, e uma segunda que ligava a Beira a Guimarães e Braga, atravessando Lamego e o Douro em Porto de Rei – evidencia a significativa importância deste conjunto monástico beneditino na região. É nestes espaços que os reis se instalam nas suas viagens e nos quais os peregrinos se albergam e recebem assistência.

O poder da família que efectuou as doações e as dádivas dos fiéis permitiram a Pombeiro assumir-se como um potentado na região. Bens imóveis e padroados foram-se somando ao património do Mosteiro, que chega a possuir 37 igrejas e um rendimento anual muito cobiçado proveniente das rendas e dos dízimos. O poder de Pombeiro estende-se até Vila Real.

Os Beneditinos, com o forte apoio dos Sousões de Ribavizela, impulsionam o arranque da construção românica, cuja datação deverá residir ao longo da segunda metade do século XII, ou nas primeiras décadas do século XIII. Rodrigues refere a existência da inscrição datada de 1199 no exterior da face sul do transepto, na qual é mencionado o suposto fundador da obra, D. Gonçalo de Sousa.

Após o término das obras na fachada principal, a frontaria recebeu uma galilé de três naves destinada ao enterramento dos nobres de Entre-Douro-e-Minho, embora das tumulações efectuadas restem apenas dois túmulos românicos, actualmente localizados no interior do templo, e atribuídos, de acordo com Barroca, a um desconhecido nobre da família dos Lima e a D. João Afonso de Albuquerque.

Já na Idade Moderna, Pombeiro foi objecto de profundas modificações, a maioria das quais ocorridas no período Barroco. Uma das alas do claustro data de 1702, século ao longo do qual se realizaram a nova capela-mor, o coro alto, o órgão, as numerosas obras de talha dourada, as duas torres que flanqueiam a frontaria e uma parte das alas monacais.

Os claustros foram alvo de remodelação nos inícios de Oitocentos, com uma campanha neoclássica, interrompida em 1834, com a extinção das ordens religiosas.

Personalidades Históricas
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Família dos Sousa ou Sousões
Esta importante família da região do Vale do Sousa participou activamente na Reconquista de Lisboa, por intermédio do primeiro dos Sousões, D. Gonçalo Mendes, para além de aparecer ligado a outros casos de repovoamento e reconstruções de castelos, como o de Alcanede. Vastas terras de Lisboa passam para a propriedade dos Sousões, nomeadamente Barcarena, que terá passado para o filho de D. Gonçalo Mendes, D. Mendo de Sousa.
 

D. Teresa

Rainha Dona TeresaD. Teresa de Leão (1080, Mosteiro de Monte de Ramo (Galiza) ou Póvoa do Lanhoso – 11 de Novembro de 1130), também grafada como Tarasia ou Tareja. Foi infanta de Leão e, posteriormente, por casamento com o conde D. Henrique, condessa (ou rainha, conforme surge em algumas fontes) de Portugal.

Filha bastarda do rei Afonso VI de Leão e Castela e de Ximena Moniz, uma nobre castelhana. Dada em casamento, em 1093, por seu pai a Henrique de Borgonha, nobre francês que ajudara o rei Afonso VI nas conquistas aos mouros. Teresa tem 13 anos, Henrique 24. Afonso VI doa ao casal o Condado de Portucale, território entre o Minho e o Vouga e, após 1096, entre o Minho e o Tejo.

Enviúva em 1112, já com quatro filhos como descendentes: Afonso Henriques, que viria a ser rei de Portugal,  e as filhas Urraca, Sancha e Teresa Henriques.

A luta permanente com a sua meia-irmã, a rainha D Urraca de Leão e Castela, e a ameaça constante dos mouros, nunca soube escolher bem os seus colaboradores. Cercada pelas forças de D. Urraca, encerra-se no castelo de Lanhoso, onde consegue negociar o Tratado de Lanhoso (1121) que lhe permite manter o governo do Condado Portucalense.

Deposita total confiança na nobreza galega, sobretudo em D. Perez, conde de Trava, o que indispôs  os nobres portucalenses contra ela e o seu próprio filho, Afonso Henriques. Unidos, estes retiram o poder das mãos da mãe pela força das armas, na batalha de São Mamede, em 24 de Junho de 1128. Refugiada na Galiza, D. Teresa é acompanhada pelo nobre galego, de quem vem a ter uma filha.

Os seus restos mortais foram, entretanto, transladados para a Sé de Braga, onde repousam ao lado do primeiro marido, o conde D. Henrique.
 

Nicolau CoelhoImagem de Nicolau Coelho.
Navegador português, natural do concelho de Felgueiras (século XV - 1504). Perito em navegação astronómica, foi o comandante de uma das três naus que participaram no descobrimento do caminho marítimo para a Índia, em 1498.
 
No decorrer da viagem foram-lhe confiadas as missões de sondagem de fundeadouros para a armada, bem como a exploração do litoral africano, tendo o navegador dado provas da sua experiência e saber.
 
Na viagem de regresso ao reino, a 25 de Abril de 1499 e por alturas dos baixos do rio Grande (na actual Guiné Bissau), Nicolau Coelho é afastado de Vasco da Gama devido a uma repentina tempestade. Decidindo continuar viagem, a nau Bérrio é a primeira embarcação da expedição a entrar no rio Tejo, a 10 de Julho de 1499, dando as primeiras notícias do sucesso da missão. O importante papel desempenhado durante a viagem foi recompensado por D. Manuel, que lhe concedeu, em 24 de Janeiro de 1500, uma tença de 50 000 réis por ano.
 
Passados apenas seis meses após o seu regresso da Índia, Nicolau Coelho parte de novo com destino ao oriente na armada de Pedro Álvares Cabral. Composta por treze navios, a frota zarpou do Restelo, a 9 de Março de 1500, com Nicolau Coelho a comandar novamente a nau Bérrio. O objectivo formal da viagem era tentar reatar relações comerciais com os portos índicos de Calecut, Cananor e Sofala, uma vez que Vasco da Gama havia sido, na primeira tentativa, absolutamente desastroso.
 
A 22 de Abril de 1500, e de modo que não se sabe com certeza se foi acidental ou já premeditado – embora as recentes pesquisas historiográficas demonstrem que os portugueses tinham, no mínimo, alguns fortes indícios de haver terra no outro lado do Atlântico –, avistou-se terra chã, com grandes arvoredos.
 
De novo foi confiado a Nicolau Coelho o reconhecimento do litoral desse novo território, bem como o comando de um pequeno batel enviado a terra para estabelecer contacto com os indígenas que se encontravam na praia. Mais uma vez, o navegador felgueirense demonstrou a sua experiência marinheira, bem como a facilidade de relacionamento com novos povos.
 
A terra descoberta foi baptizada de Terra de Santa Cruz (hoje Porto Seguro, no Estado brasileiro da Bahia). A 2 de Maio desse mesmo ano, a frota rumou para a Índia cumprindo finalmente o objectivo formal de viagem.
 
A 13 de Abril de 1503, pouco mais de um ano após o seu regresso a Portugal, Nicolau Coelho parte pela terceira vez com destino à Índia, ao comando da nau Faial, da armada de Afonso e Francisco de Albuquerque.
 
No entanto, na viagem de regresso, em Janeiro de 1504, a nau Faial naufragou perto dos "baixios de São Lázaro" (actual arquipélago das Quirimbas, Moçambique), tendo o navegador, natural de Felgueiras, morrido no desastre.


Frei José de Santo António de Vilaça
Frei José de Santo António Vilaça (18 de Dezembro de 1731, Braga - 30 de Agosto de 1809, Braga) foi um escultor beneditino do séc. XVIII. A sua vida foi dedicada, em grande parte, ao trabalho nas igrejas beneditinas das dioceses de Braga e Porto.

Dono de uma vastíssima produção artística, António de Vilaça principia a trabalhar nesta arte aquando da tomada de hábito de São Bento, no Mosteiro de Tibães, ao mesmo tempo que inicia o retábulo da capela-mor.

O trabalho como entalhador decorativo sempre se destacou na sua arte, muito embora executasse, ainda, plantas de vários edifícios religiosos e desenhasse muitas estátuas. Desenhou, também, retábulos,  púlpitos, sanefas, enquadramentos de portas e janelas, caixas de órgãos e cadeiras, bancos, credências e cadeiras-de-braços da maior originalidade.

Depois de ter sido enviado, no Verão de 1764, para Refojos, Cabeceiras de Basto, onde desenhou toda a talha, chega ao Mosteiro de Pombeiro em 1770, onde participou no processo de modernização do templo românico. Esta gigantesca tarefa durou duas décadas.
Está sepultado no claustro principal de Tibães.
  

Mestre Arnaus
A pintura mural desta igreja é de uma grande beleza artística e, segundo Luís Afonso, terá resultado de uma campanha executada em meados do século XVI pelo pintor Arnaus, autor dos frescos da igreja de São Paio de Midões (Barcelos), datados de 1535. Este autor terá sido um artista particularmente imaginativo e de capacidades técnicas muito acima dos seus pares e é o mais interessante fresquista do Renascimento português, de acordo com Luís Afonso, com uma obra muito conhecida e dominada por efeitos plásticos de grande virtuosismo técnico.

A importância do fresquista, que também seria um grande pintor em cavalete, arte considerada mais nobre na época, revela-se pelo facto de ter trabalhos encomendados por figuras de peso da sociedade da época, conforme refere Luís Afonso, nomeadamente o abade de Pombeiro, D. António de Mello. A empreitada, segundo o mesmo autor, terá incluído trabalhos nas igrejas de Vila Verde, Santa Eulália de Arnoso e Vila Marim, todas integrantes do património do Mosteiro de Pombeiro.

O virtuosismo de Arnaus leva-o a aproveitar a relação simbiótica entre a pintura mural e a arquitectura, servindo-se habilmente das janelas, reentrâncias e arcos cegos para criar, ou aumentar, os efeitos cenográficos de ilusão de óptica. Através desta técnica, acrescenta Afonso, Arnaus proporciona à sua arte um maior realismo e uma maior profundidade.

Lendas e Curiosidades
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Vestígios ArqueológicosAs escavações arqueológicas realizadas em 2000, em
trabalhos tutelados pelo IPPAR, no Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro, revelaram restos arqueológicos que evidenciavam a presença de actividade relacionada com a fundição de sinos de bronze.

Os trabalhos arqueológicos permitiram descobrir a existência de um fosso de fundição com câmara de cozedura construído segundo a técnica descrita pelo monge Theophilus Lombardus, nos séculos XI-XII, na obra De Diversus Artibus, segundo Ricardo Erasun Cortés. De acordo com este autor, o fosso é implantado no interior da igreja para evitar “olhares indiscretos” sobre o trabalho do mestre sineiro, já que esta arte era considerada possuidora de importante segredo. Por outro lado, facilitava a colocação das peças fundidas no seu local definitivo.

Cronologia
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1059 - Fundação do Mosteiro, segundo a tradição;

1099 - Mais antiga referência documental do Mosteiro;

1102 - D. Gomes Echiegues e sua mulher Gontroda assinam uma carta de doação a favor do Mosteiro;

1112 - É concedida a Carta de Couto ao Mosteiro de Pombeiro;

1199 - Data inscrita num silhar embutido, no lado da Epístola, junto da porta de acesso ao claustro. Trata-se de uma epígrafe de carácter funerário que remete para D. Gonçalo, um abade que teve um papel importante no Mosteiro de Pombeiro, fundando algo [«Qui Fundavit…»]. Este epitáfio poderá indicar o arranque da fábrica românica de Pombeiro;

1252/1276 - Governo do Abade Rodrigo, tendo-se atingido nesses anos o auge arquitectónico da estrutura medieval do Mosteiro;

1427 - Inicio da governação por abades comendatários;

1526-1556 - Abaciado de D. António de Melo;

1500 - 1530 - Data aproximada do programa de pintura mural que revestia parte do interior da igreja. Desta campanha restam hoje alguns fragmentos patentes nos absidíolos, e também num arco desentaipado na parede da nave no lado sul;

1566 - É criada a Congregação dos Monges Negros de São Bento de Portugal;

1568 - As principais estruturas do Mosteiro de Pombeiro encontravam-se muito arruinadas. Só a igreja apresentava alguma nobilitação artística;

1569 - Em 14 de Setembro o Mosteiro é integrado na Congregação Beneditina;

1584 - Realiza-se em Pombeiro o 5.º Capítulo Geral da Congregação Beneditina;

1589 - Realiza-se uma Visitação ao edifício, por ordem de Filipe II, a qual conduz à reforma do Mosteiro de Pombeiro;

1589 - Frei Bernardo de Braga é eleito como abade trienal do Mosteiro de Pombeiro, iniciando-se com esta nomeação o sistema trienal de eleição dos abades;

1629 - Segundo a documentação, neste ano estavam já erguidas as torres da fachada;

1719 - Em Março deste ano é lançada a primeira pedra da Capela de Santa Quitéria, que se ergueu sobre a Ermida de São Pedro, estando ela na dependência do Mosteiro de Pombeiro;

1719/1722 - Entre 1719 e 1721 decorre o triénio governado por Frei Bento da Ascenção, o qual inicia o processo de reformação com vista à modernização barroca do Mosteiro. Decorrem obras na fachada principal e também na cabeceira da igreja do Mosteiro;

Década 1760 – Arranque das obras de beneficiação da igreja que lhe viriam a conferir um ambiente de gosto rococó;

1770/1773 – Durante este triénio a capela-mor é totalmente reconstruída, sendo a máquina retabular correspondente ao altar-mor executada durante esses anos. De acordo com a documentação, em 1770 fazia-se a caixa do órgão para a igreja do Mosteiro, o qual estava na altura a ser concluído em Guimarães. Intervenção do artista Frei José de Santo António Ferreira Vilaça;

1776 – Continua a transformação da igreja. Os retábulos laterais da igreja são vendidos. Inicia-se a execução dos púlpitos, colocados frente a frente, na nave central da igreja, sendo esses terminados no ano seguinte;

1777/1780 – No ano de 1777 são colocados no lugar dos retábulos antigos novas estruturas feitas à moderna. Neste período executam-se mais dois retábulos laterais;

1783 – Já estava colocado o órgão da igreja do Mosteiro, o qual era então considerado como «hum dos melhores que tem a Ordem»;

1809 – Em 13 de Maio, deflagra no Mosteiro de Pombeiro um grande incêndio que viria a destruir grande parte da área da comunidade, apenas saindo ilesa da calamidade a igreja;

1819 – Neste ano, e na sequência da campanha iniciada após a catástrofe que atingira o Mosteiro anos antes, ocorrem obras de reconstrução da área da comunidade do Mosteiro: constrói-se a casa do Capítulo, a livraria, a hospedaria, as tulhas, entre outros. Compra de novo recheio para a sacristia;

1822 – Continuavam as obras no claustro, o qual nunca viria a ser concluído;

1834 – Início do processo da extinção das ordens religiosas em Portugal;

1910 – A 23 de Junho o Mosteiro de Pombeiro é classificado como Monumento Nacional;

1958/ 1987 – Durante estes anos decorrem obras, sob a orientação da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), com vista ao restauro das várias componentes do conjunto, as quais incidiram sobretudo na igreja;

1993/2006 – Realização de trabalhos de reabilitação e recuperação de diversas estruturas, sob a direcção do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR).

Especialidades
Arquitectura
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O Mosteiro de Pombeiro, exemplar de arquitectura religiosa, românica e setecentista, é constituído por uma igreja românica de planta longitudinal de três naves com arcos diafragma, falso transepto e cabeceira tripla, reformada na época de Setecentos. Segundo Sereno, Santos e Avellar, da época românica subsistem os absidíolos e duas arquetas sepulcrais com estátua jacente (século XIII). O portal e o grande óculo, da mesma época, denotam a influência do tipo bolonhês. Os toros das arquivoltas devem datar da segunda metade do século XII, mas a rosácea, emoldurada de colunas e arcos românicos e similar às de Roriz e Paço de Sousa, sugere o princípio do século XIII.

O monumento possui uma planta com desenvolvimento longitudinal, acentuado pela grande profundidade da capela-mor. A fachada principal, orientada a sudoeste, encontra-se enquadrada por duas torres sineiras rematadas por coruchéus e conserva o portal românico de cinco arquivoltas assentes em capitéis lavrados. Este é encimado por uma grande rosácea, emoldurada por colunas e arcos românicos. O interior, de três naves, mantém os absidíolos e duas arquetas tumulares.

Planta do Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro


Na parede norte da nave encontra-se uma tampa de sepultura epigrafada, originária da galilé. É possível encontrar uma inscrição num dos silhares da parede do transepto no lado da Epístola. O trifório, sobre o transepto, foi substituído por uma varanda corrida, com remate em lanternim. Já o coro-alto, com cadeiral, apoia-se em arco decorado. Na capela-mor, de grande dimensão, destaca-se o retábulo em talha dourada.
 

A sul da igreja encontra-se o Mosteiro, do qual já só existe a fachada do claustro e o corpo principal da parte residencial. A primeira, de composição simétrica, rigorosa e bem proporcionada, composta por dois pisos, tem ao nível do rés-do-chão, uma arcada com nove arcos plenos. No piso encontra-se igual número de janelas de sacada com frontões segmentares e angulares emparelhados.

Alçado do Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro


A fachada principal do Mosteiro possui quatro portas no andar térreo, três das quais rematadas por frontões. A porta central dá acesso à zona habitacional e as portas laterais ao claustro e à área agrícola. Por cima destas portas existe um conjunto de janelas rectangulares de pequena dimensão, que formam o piso intermédio correspondente à área das celas. No prolongamento destas, para o espaço definido pelo claustro, as janelas são falsas, contribuindo apenas para o equilíbrio formal da fachada.
 
No último piso, unidas por um friso contínuo, existe um conjunto de sete janelas de sacada rematadas por frontões angulares, à excepção da central que tem frontão curvo. Esta excepção reforça o eixo da fachada, que é rematada por cornija com beiral e ao centro um frontão de lanços com brasão no tímpano e três urnas de remate, que se repetem em cada extremidade da fachada. A cobertura é em telhado de diversas águas.

A rosácea da fachada ocidental e a escultura e o alçado do portal principal indicam que a construção do edifício terá sido iniciada, provavelmente, no último quartel do século XII mas terminada apenas nas primeiras décadas do século XIII. Apesar das reformas efectuadas nos séculos XVII e XVIII, a igreja mantém a estrutura românica inicialmente concebida.
  
Alçado do Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro
Em 1629 já existiam duas torres que foram acrescentadas ao projecto inicial, possivelmente em resultado da ruína da galilé, construção destinada a espaço funerário, onde figuravam as armas da antiga nobreza de Portugal. O muro encaixado entre as duas torres e a respectiva rosácea foi deslocado para a frente no triénio de 1719/1722.

A igreja é constituída por três naves de três ramos, cobertas por arcos-diafragma e madeira. O transepto é apenas notado na altura, destacando-se, pela sua volumetria, no exterior.

O portal principal apresenta-se como um notável exemplo de escultura românica, nomeadamente os capitéis – de inspiração vegetalista – esculpidos em granito por mão hábil. A rosácea, protogótica, denota uma estrutura semelhante à existente em Paço de Sousa, Penafiel.
Mais modernas são as fachadas laterais, exibindo soluções cenográficas típicas dos esquemas de arquitectura e decoração rococó.

Destaque para a inscrição comemorativa da deposição de relíquias na igreja do Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro gravada em dois silhares de granito, embutidos na parede leste do transepto, na esquina com o absidíolo sul.

Arqueologia
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Vestígios ArqueológicosAs modificações e transformações a que o Mosteiro de Santa
Maria de Pombeiro esteve sujeito ao longo de quase dez séculos, nomeadamente as resultantes do incêndio verificado em 1809 aquando das Invasões Francesas e da extinção da Ordem Beneditina em 1834, lançaram várias interrogações para as quais a Arqueologia procurou respostas.
 
As primeiras escavações realizaram-se a partir de 15 de Abril de 1997, envolvendo os claustros, procurando determinar a planta dos mesmos e dos outros edifícios desde a época medieval à contemporânea. Ao mesmo tempo, estes trabalhos arqueológicos procuraram encontrar as várias fases de remodelação a que o mosteiro esteve sujeito, até à reconstrução verificada após o incêndio de 1809.
  
Até 2006, segundo José Mendes Pinto, foi possível reconstituir a planta da abside da capela-mor, verificar a originalidade dos absidíolos laterais e a implantação da fachada poente da igreja, determinar as variações ao longo dos séculos da planta da sacristia, sala do capítulo e parte da ala nascente, verificar os princípios da hidráulica monástica, constatar os ritmos de enterramento no claustro e na igreja, e escavar a ala sul, onde se encontrou a cozinha e o refeitório, ambos desaparecidos.

Fonte de Santa Bárbara

Paralelamente, as escavações arqueológicas incidiram sobre a procura das infra-estruturas da Fonte de Santa Bárbara, junto à estrada antiga no início do Terreiro. Esta foi construída em 1754, segundo o autor com alguma grandiosidade pelos monges, para apoio do povo do lugar e dos peregrinos que visitavam o local vindos da estrada de Guimarães.

Envolvente
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No âmbito do Estudo de Valorização e Salvaguarda das Envolventes aos Monumentos da RRVS, no qual foram definidas as linhas directrizes e de enquadramento para a elaboração subsequente dos projectos técnicos de execução e respectivas obras para a valorização e salvaguarda das envolventes aos monumentos, definiram-se as condicionantes que se consideraram de maior relevância para preservar e requalificar as envolventes aos imóveis.
  
O objectivo do estudo passa por preservar o contexto em que estes se encontram inseridos, nomeadamente através da integração das condicionantes em dispositivos legais – como Zonas Especiais de Protecção – que restrinjam intervenções urbanísticas que façam perigar a integridade das envolventes.

Envolvente do Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro

Procedeu-se, também, à definição das áreas de actuação e intervenções de âmbito geral a ter em conta nas envolventes, para alargar o ordenamento do território a uma zona mais vasta no sentido de permitir uma melhor circulação de turistas na região.

Finalmente, o Estudo definiu quais as intervenções prioritárias a realizar nas envolventes aos monumentos, para permitir a estabilização dos territórios, ao mesmo tempo que corrige e/ou cria estruturas e infra-estruturas de apoio.

No Mosteiro de Pombeiro, perante a qualidade arquitectónica do edifício e os vestígios com interesse arqueológico encontrados na envolvente imediata, o Estudo defende a necessidade da manutenção e beneficiação do enquadramento paisagístico proporcionado pelo vale agrícola onde se encontra implantado o imóvel. A campanha arqueológica deverá terminar para, depois, serem criadas estruturas interpretativas de apoio aos turistas.

No que se refere à envolvente paisagística, este Estudo entende que as espécies vegetais típicas dos cursos de água deverão ser repostas, tal como os campos deverão ser compartimentados para manter as linhas de drenagem e a estabilização das margens.

Envolvente do Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro_Aqueduto

As obras irão principiar a partir de 2009, no âmbito de uma candidatura a apresentar ao QREN.

Galeria
  • +Retábulo da Sacristia_Most. Pombeiro

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  • +Nave Central_Most. Pombeiro

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  • +Imagem de Santa Maria Maior_Most. de Pombeiro

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  • +Pintura Mural Renascentista_Most. Pombeiro

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  • +Arca Tumular e Jacente_Most. Pombeiro

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  • +Escavações_Most. Pombeiro

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  • +Nave Central_Most. Pombeiro

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  • +Fachada Principal_Most. Pombeiro

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  • +Coro Alto_Most. Pombeiro

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  • +Fachada Lateral_Most. Pombeiro

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  • +Portal Ocidental_Most. Pombeiro

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  • +Capitéis Portal Ocidental_Most. Pombeiro

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  • +Fachada Ocidental_Most. Pombeiro

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  • +Claustro_Most. Pombeiro

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  • +Aduelas Portal Ocidental_Most. Pombeiro

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  • +Orgão do Coro Alto_Most. Pombeiro

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  • +Arcazes da Sacristia_Most. Pombeiro

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  • +Absidíolo Exterior_Most. Pombeiro

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  • +Capitéis Portal Ocidental_Most. Pombeiro

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  • +Aduelas Portal Ocidental_Most. Pombeiro

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