Mestre Arnaus
Arnaus terá sido um artista particularmente imaginativo e de capacidades técnicas muito acima dos seus pares, sendo o mais interessante fresquista do Renascimento português, de acordo com o mesmo autor, com uma obra muito conhecida e dominada por efeitos plásticos de grande virtuosismo técnico.
A importância do fresquista, que também seria um grande pintor em cavalete, arte considerada mais nobre na época, revela-se pelo facto de ter trabalhos encomendados por figuras de peso da sociedade da época, conforme refere Luís Afonso, nomeadamente o abade de Pombeiro, D. António de Mello. A empreitada, segundo o mesmo autor, terá incluído trabalhos nas igrejas de Vila Verde, Santa Eulália de Arnoso e Vila Marim, todas integrantes do património do Mosteiro de Pombeiro.
O virtuosismo de Arnaus leva-o a aproveitar a relação simbiótica entre a pintura mural e a arquitetura, servindo-se habilmente das janelas, reentrâncias e arcos cegos para criar, ou aumentar, os efeitos cenográficos de ilusão de ótica. Através desta técnica, acrescenta Afonso, Arnaus proporciona à sua arte um maior realismo e uma maior profundidade.
Gomes Eciegas
Nasceu em 1024 e faleceu a 1102. Era filho do conde D. Aciega Visóis, senhor de Basto, e de D. Aragunta Soares. Foi Infanção da corte de D. Fernando, governador da Terra de Sousa e fundador, juntamente com sua mulher Gontroda, do Mosteiro de Pombeiro.
Este Mosteiro foi edificado em terreno seu, no vale de Pombeiro, onde havia uma Ermida dedicada a Santa Maria, destruída pelos mouros. Para além da fundação, o casal doou ao Mosteiro as suas quintas de São Veríssimo de Sousa, de Idães, de Penacova, de Pombeiro e outros bens.
Gonçalo Mendes de Sousa
Gonçalo Mendes de Sousa, o Bom, nasceu no ano de 1124. Era filho de Mem Viegas de Sousa e foi conselheiro de D. Afonso Henriques que, em 1155, lhe deu uma herdade reguenga no Couto de Pombeiro e o reconheceu como senhor e governador da Terra.
D. Gonçalo de Sousa escolheu o casal de Unhão para sua residência e fez erguer a igreja local, dedicada no ano de 1165, pelo Arcebispo de Braga D. João Peculiar. Consta que, nesse mesmo ano, D. Afonso Henriques se hospedou em sua casa, tendo aí ocorrido um episódio erótico, narrado no Livro de Linhagens do Conde D. Pedro e posteriormente aproveitado para tema do curioso romance histórico, de título O Pecado de D. Afonso Henriques, da autoria do dramaturgo D. João de Castro.
Gonçalo Mendes de Sousa faleceu a 5 de Outubro de 1179. Aquando das suas últimas vontades, escolheu o Mosteiro de Pombeiro para sua sepultura, deixando ao mosteiro todas as suas herdades de Basto, 3 libras da igreja de Margaride, 5 libras da igreja de São Veríssimo, a igreja de Samarim para refazer as vestes sacras e a torre (actual casa do Paço de Pombeiro) que ali edificara para hospício e albergaria dos peregrinos que passassem a caminho de Santiago de Compostela.
Frei José de Santo António de Vilaça
Frei José de Santo António Vilaça (18 de dezembro de 1731, Braga - 30 de agosto de 1809, Braga) foi um escultor, entalhador e arquiteto beneditino do séc. XVIII. A sua vida foi dedicada, em grande parte, ao trabalho nas igrejas beneditinas das dioceses de Braga e Porto.
Dono de uma vastíssima produção artística, António de Vilaça, filho do carpinteiro Custódio Ferreira, inicia-se na arte da madeira no Mosteiro de Tibães, por volta de 1757, onde acaba por professar cinco anos depois.
O trabalho como entalhador decorativo sempre se destacou na sua arte, muito embora executasse ainda plantas de vários edifícios religiosos e desenhasse muitas estátuas. Desenhou também retábulos, púlpitos, sanefas, enquadramentos de portas e janelas, caixas de órgãos e cadeiras, bancos, credências e cadeiras-de-braços da maior originalidade.
Depois de ter sido enviado, no verão de 1764, para Refojos, Cabeceiras de Basto, onde desenhou toda a talha, chega ao Mosteiro de Pombeiro, em 1770, onde participou no processo de modernização do templo românico. Esta gigantesca tarefa durou duas décadas. Está sepultado no claustro principal de Tibães.
D. Manuel de Faria e Sousa
Nasceu na Quinta do Souto (ou da Caravela), paróquia de Pombeiro, concelho de Felgueiras, em 18 de março de 1590. Era filho de Amador Peres de Eiró, fidalgo da Casa Real e de D. Luísa de Faria, neta do senhor de Valmelhorado. Foi batizado na igreja do Mosteiro Beneditino de Pombeiro.
Aos 10 anos foi estudar Humanidades para Braga. O empenho demonstrado nos estudos não passou despercebido, tendo, em 1604, entrado, como secretário, ao serviço do Arcebispo do Porto, D. Francisco Gonçalo de Morais que, aliás, era seu parente.
Em 1614 casa com Catarina Machado, filha de Pedro Machado, primeiro contador da Fazenda Real do Porto, e de Catarina Lopes Ferreira.
Desejoso de altos cargos, em 1619, parte para Madrid como secretário particular de Pedro Álvares Pereira, Conde de Muge, que ocupava o cargo de Secretário do Conselho de Estado da dinastia Filipina para os negócios de Portugal.
Após a Restauração da Independência portuguesa, em 1640, decide não regressar a Portugal por motivos ainda não inteiramente esclarecidos. No entanto, existe a teoria que defende que Manuel de Faria e Sousa não regressou para que pudesse funcionar como informador da coroa portuguesa sobre as ações de Madrid.
Faleceu a 3 de junho de 1649 na casa do marquês de Montebelo. Sepultado no mosteiro de Premonstratrenses de Madrid, foi posteriormente transladado para o Mosteiro de Pombeiro.
Autor de, pelo menos, 20 obras impressas e 16 manuscritas, Manuel de Faria e Sousa foi poeta, historiador e polígrafo notável. Em 29 anos de trabalho, escreveu milhares de páginas, chegando a redigir, por dia, cem cartas de assuntos diversos. Foi o primeiro a escrever em versos de oito sílabas o que se compunha em onze, assim como, as sextinas de consoantes.
Como polígrafo, deve-se a ele a primeira grande interpretação d’ Os Lusíadas, de Luís de Camões, no ano de 1639. Como historiador, seguiu João de Barros. Nas obras Epítome de las historias portuguesas, de 1628, Asia Portuguesa, de 1666, e África Portuguesa, de 1681 - estas duas últimas impressas postumamente - Manuel de Faria e Sousa mostra o desejo de escrever uma história geral do nosso país.
Nicolau Coelho
Navegador português, natural do concelho de Felgueiras (século XV - 1504). Perito em navegação astronómica, foi o comandante de uma das três naus que participaram no descobrimento do caminho marítimo para a Índia, em 1498.
No decorrer da viagem foram-lhe confiadas as missões de sondagem de fundeadouros para a armada, bem como a exploração do litoral africano, tendo dado provas da sua experiência e saber.
Na viagem de regresso ao reino, a 25 de Abril de 1499 e por altura dos baixos do rio Grande (na atual Guiné Bissau), Nicolau Coelho é afastado de Vasco da Gama devido a uma repentina tempestade. Decidindo continuar viagem, a nau Bérrio é a primeira embarcação da expedição a entrar no rio Tejo, a 10 de julho de 1499, dando as primeiras notícias do sucesso da missão. O importante papel desempenhado durante a viagem foi recompensado por D. Manuel, que lhe concedeu, em 24 de janeiro de 1500, uma tença de 50 000 réis por ano.
Passados apenas seis meses após o regresso da Índia, Nicolau Coelho parte de novo com destino ao oriente na armada de Pedro Álvares Cabral. Composta por treze navios, a frota zarpou do Restelo, a 9 de março de 1500, com Nicolau Coelho a comandar novamente a nau Bérrio. O objetivo formal da viagem era tentar reatar relações comerciais com os portos índicos de Calecut, Cananor e Sofala, uma vez que Vasco da Gama havia sido, na primeira tentativa, absolutamente desastroso.
A 22 de abril de 1500, de modo acidental ou premeditado – embora as recentes pesquisas historiográficas demonstrem que os portugueses tinham fortes indícios de haver terra no outro lado do Atlântico – avistou-se terra chã, com grandes arvoredos.
Voltou a ser confiado a Nicolau Coelho o reconhecimento do litoral desse novo território, bem como o comando de um pequeno batel enviado a terra para estabelecer contacto com os indígenas que se encontravam na praia. Mais uma vez, o navegador felgueirense demonstrou a sua experiência marinheira, bem como facilidade de relacionamento com novos povos.
A terra descoberta foi batizada de Terra de Santa Cruz (hoje Porto Seguro, no Estado brasileiro da Bahia). A 2 de maio desse mesmo ano, a frota rumou para a Índia cumprindo finalmente o objetivo formal de viagem.
A 13 de abril de 1503, pouco mais de um ano após o seu regresso a Portugal, Nicolau Coelho parte pela terceira vez com destino à Índia, ao comando da nau Faial, da armada de Afonso e Francisco de Albuquerque.
No entanto, na viagem de regresso, em janeiro de 1504, a nau Faial naufragou perto dos "baixios de São Lázaro" (atual arquipélago das Quirimbas, Moçambique), tendo o navegador morrido no desastre.
Família dos Sousa ou Sousões
Esta importante família do Tâmega e Sousa participou ativamente na Reconquista de Lisboa, por intermédio do primeiro dos Sousões, D. Gonçalo Mendes, para além de aparecer ligado a outros casos de repovoamento e reconstruções de castelos, como o de Alcanede.
Vastas terras de Lisboa passaram para a propriedade dos Sousões, nomeadamente Barcarena, que terá passado para o filho de D. Gonçalo Mendes, D. Mendo de Sousa.
D. Teresa
D. Teresa de Leão (1080, Mosteiro de Monte de Ramo (Galiza) ou Póvoa do Lanhoso – 11 de novembro de 1130), também grafada como Tarasia ou Tareja, foi infanta de Leão e, posteriormente, por casamento com o conde D. Henrique, condessa (ou rainha, conforme surge em algumas fontes) de Portugal.
Filha bastarda do rei Afonso VI de Leão e Castela e de Ximena Moniz, uma nobre castelhana, foi dada em casamento, em 1093, a Henrique de Borgonha, nobre francês que ajudara o rei Afonso VI nas conquistas aos mouros. Teresa tinha 13 anos e Henrique 24. Afonso VI doa ao casal o Condado de Portucale, território entre o Minho e o Vouga e, após 1096, entre o Minho e o Tejo.
Enviúva em 1112, já com quatro filhos como descendentes: Afonso Henriques, que viria a ser rei de Portugal, e as filhas Urraca, Sancha e Teresa Henriques.
Cercada pelas forças de D. Urraca, meia-irmã com quem vive em luta permanente, encerra-se no castelo de Lanhoso, onde consegue negociar o Tratado de Lanhoso (1121) que lhe permite manter o governo do Condado Portucalense.
Deposita total confiança na nobreza galega, sobretudo em D. Perez, conde de Trava, o que indispôs os nobres portucalenses contra ela e o seu próprio filho, Afonso Henriques. Unidos, estes retiram o poder das mãos da mãe pela força das armas, na batalha de São Mamede, em 24 de junho de 1128. Refugiada na Galiza, D. Teresa é acompanhada pelo nobre galego, de quem vem a ter uma filha.
Os seus restos mortais foram, entretanto, transladados para a Sé de Braga, onde repousam ao lado do primeiro marido, o conde D. Henrique.